Gestão

A reunião que decide, no lugar da reunião que informa

Se a sua reunião semanal pudesse ser um áudio de três minutos, ela precisa mudar de formato

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Thiago Ryque
Consultor empresarial 5 min de leitura
A reunião que decide, no lugar da reunião que informa. Artigo do blog de Thiago Ryque.

A reunião de segunda começou às nove e terminou às onze. Todo mundo falou, ninguém discordou, e na quarta a mesma pendência apareceu de novo.

Vale fazer uma conta antes de qualquer coisa. Seis pessoas por duas horas são doze horas de trabalho da sua empresa. Toda semana, isso dá quase cinquenta horas por mês. É mais do que um funcionário em tempo integral, e essa é a única despesa desse tamanho que ninguém coloca na planilha.

O problema não é reunir. É que a maior parte das reuniões existe para informar, e informação não precisa de sala.

Em resumo

  • Seis pessoas por duas horas semanais custam quase 50 horas por mês. É mais que um funcionário em tempo integral, e ninguém coloca isso na planilha.
  • Antes de convocar, pergunte se o que você vai dizer caberia numa mensagem. Se couber, mande a mensagem.
  • A pauta lista decisões, não assuntos. "Falar sobre o atraso" rende uma hora sem conclusão; "decidir entre contratar ou renegociar o prazo" tem desfecho.
  • Toda decisão precisa de três informações: o que ficou decidido, quem é o dono e até quando. Faltando uma, aquilo foi comentado, não decidido.

O teste do áudio de três minutos

Antes de convocar, faça esta pergunta: o que eu vou dizer aqui caberia numa mensagem?

Se a resposta for sim, mande a mensagem. Reunião serve para uma coisa que mensagem nenhuma resolve: decidir junto quando existe mais de um caminho possível.

Repasse de números, aviso de mudança, atualização de andamento. Nada disso precisa de todo mundo sentado ao mesmo tempo.

O formato que cabe em cinquenta minutos

Cinquenta, não sessenta. Os dez minutos que sobram são o que permite a próxima começar na hora.

Antes: a pauta com as decisões

A pauta não lista assuntos, lista decisões que precisam sair de lá. A diferença é grande.

"Falar sobre o atraso das entregas" é assunto. Rende uma hora de conversa e nenhuma conclusão.

"Decidir se vamos contratar mais um entregador ou renegociar o prazo com o cliente" é decisão. Tem duas opções na mesa e um desfecho possível.

Envie essa pauta na véspera. Quem chega sabendo o que vai ser decidido chega com posição formada, e a conversa começa no minuto um.

Durante: cinco minutos por decisão, no relógio

  • Os primeiros 10 minutos: o que ficou pendente da última vez. Só o que não andou, e por quê.
  • Os 30 minutos do meio: as decisões da pauta, uma por vez, com o relógio à vista.
  • Os últimos 10 minutos: a leitura em voz alta do que foi combinado.

Esse último bloco é o que separa a reunião que produz da que evapora. Alguém lê em voz alta, na frente de todos: o que ficou decidido, quem é o dono, e até quando.

Três informações. Se qualquer uma faltar, aquilo não foi decidido, foi comentado.

Depois: uma mensagem de cinco linhas

No mesmo dia, no grupo ou por e-mail. Só as decisões, os donos e as datas. Sem ata de duas páginas, que ninguém lê.

Essa mensagem vira a primeira pauta da reunião seguinte. É assim que a corrente não se perde.

As três regras que fazem funcionar

Quem não tem decisão a tomar não precisa estar. Convidar todo mundo por educação custa caro. Chame quem decide e quem executa. Os outros recebem a mensagem de cinco linhas.

Cada decisão tem um dono, uma pessoa só. Tarefa de dois donos é tarefa de nenhum. Quando algo é "da equipe", ninguém acorda pensando naquilo.

Começa na hora marcada, mesmo faltando gente. Esperar os atrasados ensina a chegar atrasado. Começar sem eles ensina o contrário, e em três semanas o horário se resolve sozinho.

O que muda depois de dois meses

A primeira reunião no formato novo costuma ser desconfortável, porque o silêncio na hora de definir o dono é revelador. Muita coisa que parecia combinada nunca teve responsável.

A partir da terceira ou quarta semana, o efeito aparece na conversa do dia a dia: as pendências param de reaparecer, porque cada uma tem nome e data. E a reunião encolhe naturalmente, porque quando as decisões da semana anterior foram cumpridas, sobra pouco para revisitar.

Aquilo que você tolera é o que você tem. Reunião que termina sem dono e sem data é tolerância disfarçada de alinhamento.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas devem participar de uma reunião?

Só quem decide e quem executa o que for decidido. Convidar por educação custa horas de trabalho da empresa. Os outros recebem a mensagem de cinco linhas com as decisões, os donos e as datas.

Qual a duração ideal de uma reunião semanal?

Cinquenta minutos, não sessenta. Os dez minutos que sobram são o que permite a próxima começar no horário e o que impede a conversa de se esticar sem produzir decisão.

O que fazer quando as pessoas chegam atrasadas?

Comece na hora marcada mesmo faltando gente. Esperar os atrasados ensina a chegar atrasado. Em duas ou três semanas o horário se ajusta sozinho, sem você precisar cobrar ninguém.

Como registrar o que foi decidido sem gastar tempo com ata?

Uma mensagem de cinco linhas no mesmo dia, com as decisões, os donos e as datas. Ata de duas páginas ninguém lê. Essa mensagem vira a primeira pauta da reunião seguinte.

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