A reunião que decide, no lugar da reunião que informa
Reunião longa que termina sem ninguém saber quem faz o quê custa caro e ninguém mede. Existe um formato de cinquenta minutos que sai com decisão tomada.
O saldo do banco no dia 30 não responde essa pergunta, e é por isso que ele engana
No dia 30 tem dinheiro na conta. No dia 10 do mês seguinte, não tem mais.
Entre uma data e outra você não gastou nada de diferente, não fez nenhuma loucura, e mesmo assim a sensação é de que o mês inteiro passou e não sobrou. Essa sensação costuma estar certa, e o motivo é simples: o saldo do banco não mede lucro. Ele mede quanto dinheiro passou por ali e ainda não foi embora.
Boa parte do dinheiro que está na conta no dia 30 já tem dono. É imposto que vence, é fornecedor que fatura no dia 5, é a parcela do cartão que a máquina ainda vai repassar. Olhar o saldo e concluir que o mês foi bom é uma conclusão honesta tirada do número errado.
Não precisa de sistema caro nem de curso de contabilidade. Precisa de quatro linhas, na ordem.
Só venda. Não conta empréstimo, não conta dinheiro que você colocou do seu bolso, não conta devolução de imposto. Só o que o cliente pagou pelo que você vendeu.
E atenção ao momento: use o que foi vendido no mês, não o que caiu na conta no mês. Uma venda parcelada em 3 vezes é venda de hoje, mesmo que o dinheiro chegue em setembro. Misturar as duas coisas é o começo da confusão.
É o custo do que você vendeu. A mercadoria que saiu da prateleira, o tecido que virou a peça, as horas da equipe que executou o serviço.
Aqui entra também o que quase todo mundo esquece: a taxa da máquina de cartão, o imposto sobre a venda, a comissão do vendedor. Tudo que só existe porque a venda aconteceu.
Venda menos esse custo é a sua margem. É o dinheiro que ficou na empresa para pagar o resto.
O aluguel, a luz, a internet, o contador, o salário de quem não está ligado diretamente à venda, o sistema que você assina. Aquilo que você paga mesmo num mês em que não vender nada.
Esse é o custo fixo. Ele é o número mais importante da sua empresa e o que menos gente sabe de cabeça. Se você não souber o seu agora, esse é o primeiro dever de casa.
O seu pró-labore. E aqui vem a parte que costuma doer: o seu trabalho é um custo da empresa, não um prêmio no fim do mês.
Enquanto você tirar "o que sobrar", nunca vai saber se a empresa dá lucro, porque você é a variável que absorve todo o erro. Defina um valor fixo, pague ele todo mês como se fosse um salário, e deixe o que sobra depois disso ser o resultado de verdade.
Margem menos custo fixo menos pró-labore = lucro do mês.
Se der positivo, a empresa se paga e ainda sobra. Se der negativo, ela está sendo sustentada por outra coisa: pelo seu dinheiro, por um parcelamento, ou pelo prazo que o fornecedor te dá.
Muita empresa que "vai bem" está no segundo caso há anos. Não porque o dono seja descuidado, mas porque ninguém nunca sentou com ele e mostrou essas quatro linhas.
Divida o custo fixo mais o pró-labore pela sua margem em porcentagem. O resultado é quanto você precisa vender no mês para não perder dinheiro.
Um exemplo com números redondos. Custo fixo mais pró-labore de R$ 30.000. Margem de 40%. A conta é 30.000 dividido por 0,40, que dá R$ 75.000. Abaixo disso o mês fecha no vermelho, mesmo com a conta cheia no dia 30.
Saber esse número muda a rotina inteira. Você para de olhar o extrato e passa a olhar quanto falta para virar o mês. No dia 15 já dá para saber se vai dar.
Uma página. Pode ser papel.
O que faz esse controle funcionar não é a ferramenta, é a repetição. Uma planilha linda preenchida em janeiro e esquecida em março não serve pra nada. Uma folha simples preenchida todo mês, por doze meses, mostra a sua empresa inteira.
Na vida, ou você tem razão ou você tem resultado. No fechamento do mês vale a mesma coisa: o número não discute com você, ele só mostra.
Se ao montar essas quatro linhas você descobrir que o custo fixo está maior do que imaginava, não é sinal de que algo foi feito errado. É sinal de que agora você está enxergando o que antes estava espalhado em vinte lugares diferentes.
Não. Uma página com uma linha por mês resolve, e pode ser em papel. O que faz esse controle funcionar é a repetição, não a ferramenta. Planilha bonita esquecida em março não mostra nada; folha simples preenchida por doze meses mostra a empresa inteira.
Lucro é o que a operação gerou no mês. O dinheiro na conta é o que ainda não foi pago. Uma empresa pode ter conta cheia no dia 30 e ter dado prejuízo, porque boa parte daquele saldo já tem dono: imposto, fornecedor e repasse de cartão.
Comece pelo que você gastaria para contratar alguém que fizesse o que você faz. Fixe esse valor, pague todo mês na mesma data e deixe o que sobra depois disso ser o resultado. Enquanto você tirar o que sobra, você é a variável que absorve todo erro da empresa.
No mês da venda, para medir resultado. O recebimento entra no controle de caixa, que é outro controle. Misturar os dois é a origem mais comum da confusão entre lucro e dinheiro disponível.
Próximo passo
Me conte em duas linhas o que está acontecendo aí. Eu respondo pessoalmente e digo o que eu faria no seu lugar, mesmo que você nunca contrate nada.
Quero melhorar minha gestãoConversa por WhatsApp. Sem custo e sem ligação de venda.