Cases & Histórias

Uma rede de drogarias aumentou 15% o lucro sem contratar mais ninguém

O que mudou não foi o time nem o mercado. Foi quem tomava as decisões do dia a dia

Foto de Thiago Ryque
Thiago Ryque
Consultor empresarial 5 min de leitura
Uma rede de drogarias aumentou 15% o lucro sem contratar mais ninguém. Artigo do blog de Thiago Ryque.

A rede vendia bem. Tinha ponto bom, tinha equipe montada e tinha demanda na porta. E mesmo assim o crescimento tinha parado num lugar que ninguém sabia explicar.

O fundador trabalhava mais horas do que qualquer pessoa da empresa. Não por falta de gente, e sim porque quase toda decisão do dia passava por ele: a compra, a escala, a resposta ao cliente insatisfeito, o desconto que o gerente queria dar. Ele era competente naquilo, e é justamente por isso que a fila se formava na porta dele.

Uma observação sobre o formato deste texto: esta é uma consultoria real, e o nome da empresa fica fora por escolha. Os números são os que aconteceram.

Em resumo

  • A rede aumentou 15% o lucro líquido sem abrir loja, sem aumentar o time e sem mexer no preço.
  • O problema não era falta de gente boa. Era falta de limite escrito: ninguém além do fundador tinha permissão formal de decidir.
  • A ordem foi: anotar o que passava por ele, transformar critério em limite com número, formar os gerentes que já estavam lá e criar rotina de acompanhamento.
  • Treinar sem dar o limite escrito produz alguém preparado que continua ligando pra perguntar. Os dois andam juntos.

O diagnóstico

Na primeira leitura, o problema parecia ser de gente. Faltava alguém de confiança, faltava um segundo comando.

Não era. As pessoas estavam lá. O que faltava era o preparo para decidir, e principalmente o combinado de até onde cada um podia ir sem perguntar.

Um exemplo concreto do dia a dia da rede: o gerente de uma loja precisava autorizar uma troca fora do prazo. Nada complexo, e uma decisão de valor pequeno. Só que não existia um limite definido, então ele ligava. O fundador atendia, decidia em vinte segundos, e a fila andava.

Vinte segundos, várias vezes por dia, em várias lojas. Isso não é problema de agenda. É que ninguém além dele tinha permissão formal de decidir nada.

O que foi feito, na ordem

A ordem importa mais do que a lista.

Primeiro: escrever o que já era decidido

Antes de treinar qualquer pessoa, foi levantado o que de fato passava pelo fundador durante duas semanas. Tudo anotado, sem filtro.

O resultado dessa lista costuma ser revelador: a maior parte das decisões era repetitiva, de valor baixo, e tinha um critério claro que existia só na cabeça dele.

Segundo: transformar critério em limite

Cada decisão repetitiva virou uma regra com número. Troca até determinado valor, o gerente resolve. Acima disso, consulta. Desconto até certa faixa, o vendedor aplica. Acima, pede.

Nada de sofisticado. O ganho não está na regra, está em ela existir escrita e ser conhecida por todos.

Terceiro: desenvolver quem já estava lá

Aqui entrou a Academia de Líderes, com foco nas lideranças intermediárias. Não em contratar um executivo de fora, e sim em preparar os gerentes que já conheciam a operação, os clientes e os produtos.

O trabalho foi sobre as partes que ninguém tinha ensinado a eles: como conduzir a conversa de correção com a equipe, como acompanhar um número sem virar cobrança, como conduzir a reunião da loja, como decidir dentro do limite recebido.

Quarto: a rotina de acompanhamento

Encontros com data marcada, indicador definido por liderança, e conversa sobre o obstáculo em vez de conversa sobre o andamento.

Essa parte é a que costuma ser cortada por falta de tempo, e é a que sustenta as outras três.

O resultado

+15% de lucro líquido.

Sem abrir loja nova, sem aumentar o time e sem mexer no preço.

O ganho veio de onde quase sempre vem quando a decisão desce um nível: menos ruptura de estoque porque a compra passou a ser decidida por quem via a prateleira, menos venda perdida por espera de autorização, escala melhor ajustada por quem conhecia o movimento de cada loja.

E o fundador passou a ocupar o tempo com o que só ele podia fazer: negociação com a indústria, escolha de ponto, direção do negócio.

O que esse caso ensina

Três coisas que se repetem em quase toda empresa que chega nesse ponto.

A fila na porta do dono raramente é falta de gente boa. É falta de limite definido. As pessoas não decidem porque nunca receberam autorização formal de decidir, e não porque não saibam.

O treinamento sozinho não resolve. Formar o líder sem dar a ele o limite escrito produz alguém preparado que continua ligando para perguntar. Os dois andam juntos.

O lucro estava dentro da operação. Não veio de vender mais. Veio de parar de perder nos pontos onde a espera pela decisão custava dinheiro todo dia, em silêncio, sem aparecer em relatório nenhum.

A pergunta que vale a pena fazer nesta semana: quantas decisões chegaram até você hoje que alguém do time poderia ter tomado, se soubesse até onde pode ir?

Perguntas frequentes

Esse resultado serve para qualquer tipo de empresa?

O número não, o mecanismo sim. O ganho apareceu porque decisões repetitivas de valor baixo passaram a ser tomadas por quem estava mais perto do cliente. Isso vale para comércio, serviço e indústria, com limites diferentes em cada caso.

Por onde começar se eu quiser fazer o mesmo?

Anote por duas semanas tudo que passou por você, sem filtrar. A maior parte vai ser decisão repetitiva com critério claro que existe só na sua cabeça. Cada uma dessas vira uma regra escrita com número.

Preciso contratar um gerente de fora?

Nesse caso não foi preciso. Foram desenvolvidas as lideranças que já estavam na operação e conheciam clientes e produtos. Contratar de fora sem antes definir os limites de decisão costuma reproduzir o mesmo gargalo com um salário a mais.

Quanto tempo leva para aparecer resultado?

Depende do tamanho da fila de decisões que hoje passa por você. O que acelera é a rotina de acompanhamento, que é justamente a parte cortada por falta de tempo na maioria das empresas.

Continue lendo

Próximo passo

Vamos olhar a sua empresa juntos, sem custo

Me conte em duas linhas o que está acontecendo aí. Eu respondo pessoalmente e digo o que eu faria no seu lugar, mesmo que você nunca contrate nada.

Quero melhorar minha gestão

Conversa por WhatsApp. Sem custo e sem ligação de venda.